7 Filmes de Folk Horror Para Quem Gostou de A Bruxa e Midsommar

Explore 7 filmes de folk horror para quem gostou de A Bruxa e Midsommar, com rituais macabros, comunidades isoladas e tradições aterrorizantes.

10/7/20267 min ler

Há lugares que parecem tranquilos até você perceber que ninguém ali está disposto a explicar as regras.

As casas estão abertas, a mesa foi preparada e os moradores recebem os visitantes com um sorriso. Mais adiante, porém, existem símbolos nas árvores, uma construção que ninguém deve visitar e uma tradição que todos obedecem sem fazer perguntas.

Se essa combinação já provoca um desconforto, você entende parte do fascínio do folk horror. Em A Bruxa, de Robert Eggers, o isolamento e o medo do pecado corroem uma família à beira da floresta. Em Midsommar, de Ari Aster, o acolhimento de uma comunidade ganha contornos cada vez mais perturbadores.

Para continuar explorando esse território, o Scream Factory reuniu sete filmes de folk horror para quem gostou de A Bruxa e Midsommar. A seleção passa por clássicos, florestas hostis e histórias em que as crenças de uma comunidade podem ser mais perigosas que qualquer criatura.

Sem grandes spoilers: os rituais mais importantes ficam para a sessão.

O que é folk horror?

Folk horror é uma vertente do terror que encontra medo no encontro entre paisagem, crenças e tradições. Comunidades isoladas, práticas ritualísticas, superstições e conflitos religiosos aparecem com frequência, mas não existe uma receita obrigatória.

Nessas histórias, o cenário costuma interferir diretamente no destino dos personagens. Uma ilha dificulta a fuga. Uma floresta esconde caminhos. A distância de outras pessoas permite que uma comunidade trate a própria violência como algo natural.

O sobrenatural pode estar presente, mas o desconforto também nasce de uma pergunta bastante humana: o que acontece quando todos ao seu redor concordam com algo que você considera monstruoso?

É por diferentes caminhos que os filmes abaixo se aproximam desse medo.

1. O Homem de Palha — The Wicker Man (1973)

Direção: Robin Hardy

Um policial chega à ilha escocesa de Summerisle para investigar o desaparecimento de uma menina. Sua busca esbarra em respostas evasivas e nos costumes religiosos de uma comunidade que parece perfeitamente satisfeita com a própria maneira de viver. [1]

Para quem gostou de Midsommar, esta é uma escolha especialmente certeira. As canções, os encontros coletivos e a paisagem agradável produzem um contraste inquietante com a investigação. O visitante percebe uma ameaça onde os moradores enxergam normalidade.

Christopher Lee interpreta Lord Summerisle com uma tranquilidade que torna as conversas ainda mais desconfortáveis. O filme deixa o embate entre convicções ocupar o espaço que outras produções preencheriam com sustos.

Observe como a hospitalidade muda de significado conforme o policial tenta compreender a ilha. Cada explicação parece aproximá-lo de uma resposta e afastá-lo da segurança.

Ideal para: quem procura comunidades fechadas, celebrações perturbadoras e tensão construída aos poucos.

A indicação é o longa original de 1973.

2. O Ritual — The Ritual (2017)

Direção: David Bruckner

Quatro amigos fazem uma caminhada pela Suécia após a morte de um integrante do grupo. Ao entrar em uma floresta, encontram sinais de uma presença que transforma a viagem em uma experiência aterrorizante. O longa adapta o romance de Adam Nevill. [2]

A ligação com A Bruxa aparece na força da paisagem: basta olhar para as árvores para sentir que os personagens perderam qualquer controle sobre aquele território. Já a culpa e o luto tornam o perigo íntimo, ultrapassando a ameaça física.

O filme alterna conflitos entre os amigos, imagens de pesadelo e momentos de perseguição. Por isso, funciona bem para quem quer conhecer o folk horror por uma história com movimento mais direto.

Há também uma maneira inventiva de misturar lembranças traumáticas ao ambiente da mata. A floresta parece invadir a memória, enquanto a memória impede que os personagens enxerguem uma saída.

Ideal para: quem gosta de mitologia, criaturas e terror de sobrevivência.

3. Apóstolo — Apostle (2018)

Direção: Gareth Evans

Em 1905, um homem viaja até uma ilha remota para resgatar a irmã, sequestrada por um culto religioso. Infiltrar-se naquela comunidade exige compreender uma rotina marcada por obediência e segredos. [3]

Apóstolo aproxima o isolamento de A Bruxa da organização coletiva ameaçadora de Midsommar, mas acrescenta uma dose intensa de violência gráfica. A investigação vai abrindo espaço para um horror físico, sujo e doloroso.

A vida comunitária oferece bastante material para a tensão: o poder dos líderes, a vigilância sobre os moradores e a dificuldade de questionar práticas apresentadas como necessárias à sobrevivência do grupo.

A relação com a terra também ganha um peso particular. Fertilidade e sustento deixam de ser preocupações distantes e passam a fazer parte do mecanismo de medo.

Entre as opções desta lista, é uma das mais indicadas para quem quer uma trama de resgate que avance em direção a imagens grotescas.

Ideal para: quem procura cultos, segredos e uma experiência mais brutal.

4. Hagazussa (2017)

Direção: Lukas Feigelfeld

Ambientado nos Alpes do século XV, Hagazussa acompanha Albrun, uma mulher isolada e marcada pela hostilidade das pessoas ao seu redor. Superstição, trauma e suspeitas de bruxaria atravessam sua existência. [4]

A proximidade com A Bruxa está no ambiente rural opressivo e na maneira como uma mulher se torna alvo do medo coletivo. Feigelfeld, porém, conduz a história com poucos diálogos e longos momentos de observação.

A experiência exige disposição para acompanhar o silêncio. O som, os corpos, a paisagem e a deterioração do cotidiano dizem tanto quanto os acontecimentos mais explícitos.

É possível ler o filme como um pesadelo sobre a crueldade de transformar alguém em uma figura amaldiçoada antes mesmo de compreender sua vida. O desconforto cresce na relação entre aquilo que Albrun sofre e o modo como percebe o mundo.

Ideal para: quem gostou da atmosfera de A Bruxa e deseja uma obra ainda mais lenta, ambígua e sensorial.

5. The Blood on Satan’s Claw (1971)

Direção: Piers Haggard

A descoberta de um crânio deformado em um campo é seguida por acontecimentos sinistros em uma comunidade rural inglesa. Entre os jovens, uma influência demoníaca começa a encontrar espaço. [5]

O longa é uma das referências históricas do folk horror britânico. Aqui, o mal parece brotar do próprio solo e contaminar as relações entre os habitantes.

A ligação com A Bruxa passa pela presença demoníaca e pelo medo de que os sinais da corrupção estejam surgindo dentro da comunidade. Para quem veio de Midsommar, chamam atenção a formação do grupo e a violência que ganha permissão coletiva.

Seu ritmo e seus efeitos carregam marcas do cinema da época, mas a paisagem campestre continua produzindo um contraste forte com a crueldade dos acontecimentos. Vale saber que o filme inclui violência sexual.

Ideal para: quem quer explorar as raízes do subgênero e conhecer um terror rural de aparência antiga e conteúdo perturbador.

6. November (2017)

Direção: Rainer Sarnet

Em uma aldeia da Estônia do século XIX, amor, pobreza e sobrevivência convivem com acontecimentos sobrenaturais. Baseado no romance de Andrus Kivirähk, November apresenta um mundo em que negociar com forças obscuras faz parte da vida cotidiana. [6]

Entre suas figuras mais curiosas estão os kratts: criaturas construídas com objetos e ferramentas, animadas por meios sobrenaturais para servir aos donos. Essa convivência entre o doméstico e o impossível dá ao filme uma personalidade singular.

A fotografia em preto e branco transforma a aldeia em uma espécie de sonho gelado. Existe horror, mas também humor sombrio, romance e uma estranheza que dispensa explicações constantes.

É a escolha mais próxima de uma fábula macabra nesta seleção. Quem se interessou pelas crenças e pelos costumes presentes em A Bruxa e Midsommar encontrará aqui um universo folclórico diferente para explorar.

Ideal para: quem procura imagens marcantes, fantasia sombria e histórias fora do formato tradicional do terror.

7. Kill List (2011)

Direção: Ben Wheatley

Um homem com passado militar e problemas familiares aceita um trabalho como assassino de aluguel ao lado de um antigo parceiro. O que parece uma trama criminal começa a acumular comportamentos estranhos e sinais de algo difícil de compreender. [7]

Sua presença nesta lista já oferece uma pista, por isso vale preservar o restante da descoberta.

Wheatley constrói o desconforto a partir de discussões domésticas, agressividade e encontros que parecem ligeiramente fora do lugar. A violência tem um peso desagradável, e o espectador perde aos poucos a confiança de que entende o trabalho assumido pelos personagens.

A aproximação com Midsommar está na sensação de entrar em uma situação cujas regras outras pessoas conhecem melhor que você. O percurso, entretanto, é mais áspero e menos contemplativo.

Ideal para: quem gosta de mistérios opressivos, mudanças de direção e filmes que deixam perguntas depois dos créditos.

Qual desses filmes assistir primeiro?

A escolha depende do que mais ficou com você depois de A Bruxa e Midsommar:

  • As festas e a comunidade inquietante de Midsommar: comece por O Homem de Palha.

  • O isolamento e a suspeita de bruxaria de A Bruxa: escolha Hagazussa.

  • A floresta como território de ameaça: vá de O Ritual.

  • Cultos e violência gráfica: experimente Apóstolo.

  • As origens do folk horror britânico: procure The Blood on Satan’s Claw.

  • Folclore e uma estética de conto macabro: assista a November.

  • Uma história que muda de forma enquanto você acompanha: escolha Kill List.

Esses filmes exploram um medo difícil de afastar: chegar a um lugar onde a sua ideia de segurança perdeu o sentido. Você pode reconhecer as casas, entender as palavras e até participar da refeição. Ainda assim, falta uma informação que todos parecem compartilhar.

E, quando finalmente alguém decide explicar a tradição, talvez já tenham separado um lugar para você na cerimônia.

Qual desses filmes entraria primeiro na sua sessão de terror? Conte nos comentários do Scream Factory.

Referências de pesquisa

  1. The Wicker Man — ficha e contexto

  2. The Ritual — ficha e adaptação

  3. Apostle — sinopse oficial e ficha técnica

  4. Hagazussa — ficha, contexto e produção

  5. The Blood on Satan’s Claw — ficha e contexto

  6. November — ficha, adaptação e elementos folclóricos

  7. Kill List — ficha e premissa

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